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Marilienses adotam criança africana que seria sacrificada - OCNEWS

Cidades

04/02/2018 às 01h19 - Atualizada em 06/02/2018 às 23h10

Marilienses adotam criança africana que seria sacrificada

Edy Rocha
Osvaldo Cruz - SP
FONTE: Tupã City

Lara, como foi rebatizada a criança, corria risco de vida na África.

Um casal de marilienses adotou uma linda menininha africana, com apenas sete meses de vida, que já é dona de uma história emocionante. Lara, como foi rebatizada a criança, corria risco de vida em seu país de origem, por conta uma tradição de seu povo. 



O relato é do seu novo pai, o psicólogo Daniel Francisco Costa Simões, 44 anos. Ele, que é gerente de RH da Casa Sol, desembarcou em Marília no último dia 25 depois de ter partido dez dias antes para buscar Lara. 



Daniel e sua esposa, a professora Aline Callsen Simões, 45 anos, estão radiantes com a nova filha. Eles já possuem outra menina de três anos. 



"Foi justamente a burocracia e a insegurança jurídica que vivenciamos com a adoção brasileira, que nos fez ter interesse em uma adoção internacional", conta Daniel. Mesmo antes do casamento eles desejavam adotar. 



"Sem querer dizer se é certo ou errado, mas a legislação brasileira privilegia muito a família biológica e nunca dos pais adotantes", comenta o psicólogo. 



Há aproximadamente dois anos, Daniel e Aline conheceram um casal de Botucatu (255 quilômetros de Marília) que ajudou nos planos. 



"Esse casal havia passado algum tempo na África fazendo trabalho voluntário e acabou adotando quatro crianças. Nos colocaram em contato com o orfanato e fizemos algumas entrevistas com a diretora pela internet", explica Daniel. 



Vida ou morte 



O psicólogo embarcou para a África para realizar os trâmites da adoção e só descobriu a história por trás da criança que se tornaria sua filha ao aterrissar no continente do outro lado do Atlântico. 



A mãe biológica acabou morrendo após o parto e entre os membros daquela etnia, a tradição manda que o bebê também seja morto nesses casos, pois seria o suposto responsável pelo óbito. 



Também costumam ser rejeitadas crianças com deficiências e outros problemas, o que não é o caso da menina. 



"O pai biológico da Lara percebeu que se ele levasse ela para a aldeia, seria morta. Então ele abriu mão da paternidade, quebrou uma tradição, em nome da vida da criança. Seus parentes exigiram a morte dela. Eles acreditam que se isso não for feito, quando o bebê crescer, ele voltará para matar outros familiares. É uma lógica absurda", comenta Daniel. 



Ele conta também que alguns dias antes de adotar Lara, um casal argentino tinha acabado de adotar uma criança albina, que estava marcada para ser sacrificada porque membros da aldeia acreditavam que havia algo de demoníaco. 



Em alguns dias a adoção foi concretizada, mas houve demora para emissão do visto para que o psicólogo retornasse para o Brasil. Após alguns imbróglios, ele conseguiu os documentos necessários e pegou o avião. 



"Agora estamos formalizando a adoção perante a Justiça Brasileira, mas em seu país natal, a Lara já é reconhecidamente nossa filha. Estamos muito felizes, ela está recebendo muito carinho, é um doce", finalizou o psicólogo. 



Marília Notícia


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