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Brasil

17/05/2018 às 12h12 - Atualizada em 17/05/2018 às 12h24

Lula explica em jornal francês, por que quer voltar a ser presidente

Edy Rocha
Osvaldo Cruz - SP
FONTE: NOTICIAS AO MINUTO

Foto: © Ricardo Stuckert

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde o dia 7 de abril, na superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, assina artigo publicado, nesta quinta-feira (17), no jornal francês "Le Monde".



O petista foi condenado a 12 anos e um mês de prisão, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do triplex no Guarujá (SP).



No texto, intitulado "Por que eu quero voltar a ser presidente", Lula relembra sua trajetória política e os feitos do seu governo. Também reafirma sua inocência e defende que possa participar das próximas eleições. "As eleições só serão democráticas se todas as forças políticas puderem participar de forma livre e justa", diz.



Lula foi condenado em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), e por isso acabou enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Caberá à Corte Eleitoral decidir se sua candidatura será, ou não, impugnada. "Sou candidato a presidente do Brasil, nas eleições de outubro, porque não cometi nenhum crime e porque sei que posso fazer o país retomar o caminho da democracia e do desenvolvimento, em benefício do nosso povo", diz o artigo.



O petista também se compara ao atual presidente, Michel Temer (MDB). "Terminei meus mandatos com 87% de aprovação popular. É o que o atual presidente do Brasil, que não foi eleito, tem de rejeição hoje."



Lula ainda lembra que lidera todas as pesquisas de intenção de votos e volta a atacar o juiz Sérgio Moro, responsável pela condenação do ex-presidente em primeira instância. "Um juiz notoriamente parcial me condenou a 12 anos de prisão por 'atos indeterminados'. Alega, falsamente, que eu seria dono de um apartamento no qual nunca dormi, do qual nunca tive a propriedade, a posse, sequer as chaves. Para me prender, e tentar me impedir de disputar as eleições ou fazer campanha para o meu partido, tiveram que ignorar a letra expressa da constituição brasileira, em uma decisão provisória por apenas um voto de diferença entre 11 na Suprema Corte", escreve.



A declaração se refere à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou habeas corpus em que Lula pedia para não ser preso por seis votos a cinco. A Corte manteve o entendimento que autoriza a prisão de um condenado em segunda instância.



"Eu já fui presidente e não estava nos meus planos voltar a me candidatar. Mas diante do desastre que se abate sobre povo brasileiro, minha candidatura é uma proposta de reencontro do Brasil com o caminho de inclusão social, diálogo democrático, soberania nacional e crescimento econômico, para a construção de um país mais justo e solidário, que volte a ser uma referência no diálogo mundial em favor da paz e da cooperação entre os povos", conclui o texto.


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